Cenários

Moçambique - Teatro de Operações

O meio físico

Teve grande influência sobre as operações, podendo mesmo dizer-se que a distância e as más vias de comunicação condicionaram toda a manobra militar em Moçambique.
De facto, a configuração do território e as distâncias entre as bases de apoio e as zonas onde a guerra decorreu foram factores determinantes na conduta operacional tanto a nível estratégico, como táctico.
A circunstância de a capital e de as zonas mais densamente povoadas se situarem no extremo sul e de as operações se desenrolarem, no início, no extremo norte e, posteriormente, no extremo oeste, em Tete, obrigou a montar dispositivos de comando e suporte logístico muito complexos, que condicionaram e limitaram a acção das tropas em combate.
Também para a Frelimo a distância constituiu factor importante na sua manobra, nomeadamente para a que conduziu em Tete. Os transportes terrestres no sentido sul-norte eram praticamente inexistentes, sendo muito difícil viajar por terra de Lourenço Marques (actual Maputo) ou mesmo da Beira até Nampula.
As grandes vias de comunicação, estradas e linhas de caminhos de ferro, destinavam-se a ligar a orla marítima ao interior e orientavam-se no sentido leste-oeste. Assim, todos os movimentos de tropas e de abastecimentos para as zonas de operações estavam dependentes do transporte marítimo até aos portos de Nacala e, mais tarde, da Beira, seguindo depois por terra para o interior através de muito más estradas, as «picadas», ou por caminho de ferro, sujeitos a ataques e minas.
Nacala, o grande porto de apoio às operações no Norte, distava cerca de setecentos quilómetros de Vila Cabral, no Niassa, dos quais duzentos em zona de operações; e até Mueda, via Nampula, eram cerca de seiscentos e cinquenta quilómetros, dos quais quatrocentos em zona de operações.
Depois da abertura da frente de Tete, foram ainda as vias de comunicação a influenciar toda a manobra militar, nomeadamente pela necessidade de transportar os equipamentos e os materiais para a barragem de Cahora Bassa.
A extensão das linhas de comunicação e a sua má qualidade levaram a Frelimo a explorar essa fraqueza, utilizando intensamente a guerra das minas para condicionar os movimentos tácticos e logisticos das forças portuguesas, ficando as zonas do Niassa e Cabo Delgado conhecidas como os«Estados de Minas Gerais», onde os militares portugueses sofreram elevado número de baixas.

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