Operações

Acções de Guerrilha e Contra-Guerrilha

Operações de interdição de fronteira

Os movimentos de libertação contaram com o apoio directo dos países limítrofes e as forças militares portuguesas procuraram impedir que os meios e os reforços disponibilizados chegassem às bases da guerrilha, no interior dos territórios.

A primeira medida tomada pelos comandos militares portugueses foi colocar unidades junto às fronteiras com a missão de evitar as infiltrações de guerrilheiros e assim tentar isolá-los do apoio exterior.
Esta operação era particularmente difícil de executar com eficácia nas extensas fronteiras sem obstáculos físicos nem separação de grupos étnicos do Leste de Angola, do Norte e do Leste da Guiné e até no Norte de Moçambique, onde o rio Rovuma não isola a «nação maconde», que se encontrava nas duas margens.

A missão de interdição da fronteira era atribuída normalmente aos batalhões em quadrícula. No início da guerra foram instalados postos militares com a missão de vigiar as fronteiras, mas face à impossibilidade de estes postos com pequenos efectivos garantirem a sua segurança, passaram a ser guarnecidos por novas companhias ou foram abandonados.

Uma solução que teve êxito na limitação das infiltrações de guerrilheiros vindos do exterior foi a realização de operações específicas para este efeito, conjugando emboscadas com a perseguição por pisteiros e terminando com assaltos de helicóptero realizados por forças especiais.

Em Angola, com a disponibilidade de helicópteros SA330 (Puma), foi criada uma unidade de contra-infiltração designada primeiro por Centro Especial de Contra-Infiltração (CECI) e depois por Unidade Táctica de Contra-Infiltração, cuja missão era detectar e intersectar de grupos de guerrilheiros que se dirigiam para as suas centrais, quartéis ou bases, com reforços e reabastecimentos.
Este método foi utilizado também em Moçambique (Tete), neste caso com a utilização de pisteiros rodesianos. A este tipo de operação chamava-se salto de gafanhoto.

Em Moçambique, na sequência da Operação Nó Górdio foi planeada a Operação Fronteira, com centro em Nangade, que previa a construção de uma estrada alcatroada ao longo do rio Rovuma, com desmatagem das bermas, colocação de campos de minas, patruIhamento constante, electrificação de uma rede de protecção e instalação de meios de vigilância.
Em Angola, também foi pensada e começou mesmo a ser estudada a chamada «barragem da fronteira norte», que não vingou perante os incomportáveis encargos e a duvidosa eficácia.

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