Operações

Cahora Bassa

A guerra no coração de Moçambique

Quando, em 1969, o ministro da Economia, Dias Rosas, argumentou contra o sistema de financiamento organizado para construir a barragem de Cahora Bassa, que tornava o Estado Português o avalista da obra e deixava de fora dos riscos financeiros a África do Sul, que seria o principal cliente, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Franco Nogueira, ripostou que a barragem não era negócio, mas símbolo da vontade de os portugueses permanecerem em África.

O ministro da Economia, um dos tecnocratas do Governo, acabou por se demitir, desfeitas que ficaram, com este tipo de argumentos, as últimas ilusões de dotar de racionalidade os investimentos.

Só um argumento de natureza ideológica permite compreender a decisão de construir a barragem. De facto, Cahora Bassa é, no aspecto teórico, o exemplo clássico do divórcio entre a política e a estratégia.

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