Operações

O dia do terror - 15 de Março

O comunicado oficial

O início destes acontecimentos foi tornado público nos jornais de Angola, em 17 de Março, pelo seguinte comunicado oficial:

«Verificaram-se na zona fronteiriça do Norte de Angola alguns incidentes a que deve atribuir-se gravidade por demonstrarem a veracidade de um plano destinado a promover actos de terrorismo que assegurem, a países bem conhecidos, um pretexto para continuarem a atacar Portugal perante a opinião pública internacional. ( … )».

Chegaram a Luanda alguns feridos que foram carinhosamente recebidos, e toda a população de Angola demonstra a mais clara determinação em colaborar com as autoridades (…).

Sabe-se que há a lamentar a perda de algumas vidas, mas não se conhecem pormenores. As autoridades que procedem a uma rigorosa investigação fornecerão à Imprensa mais elementos logo que sejam obtidos.

A situação encontra-se inteiramente sob o domínio das autoridades. 

E de Lisboa nem uma palavra! Em Luanda, foram apressadamente organizados serviços de socorro e de evacuação.

Centenas de mulheres e crianças vieram das regiões atingidas e ameaçadas. Dos Dembos, porém, a evacuação era mais difícil devido à falta de pistas de aterragem, ou mesmo de vias de comunicação; por isso poucos foram os colonos desta região que receberam aviso a tempo de se salvarem.

Em meia dúzia de dias, o Norte de Angola transformou-se num mar revolto de sangue.

Calcula-se que tenham sido mortos mais de trezentos europeus na área de Nambuangongo, outros tantos na do Dange ao Quitexe e talvez uns duzentos junto à fronteira, no distrito do Congo.

Os habitantes de Luanda vivem as horas mais dramáticas da sua história contemporânea, como dizia o escritor afecto ao regime, Amândio César, no seu livro «Angola 1961»:

«Cerca de 200 000 pretos cercam 50 000 brancos! … A polícia é mais do que exígua, os efectivos militares mais do que escassos, como ainda o poderia justificar um passado de sossego, mas já não um presente de anteriores e verificadas efervescências, que o caos em que entrara o Congo Belga só era susceptível de atear, como ateou. Não há quem não fale dessas horas de pavor, de vigília atroz, de tiroteios constantes, com a aflição a apertar a garganta e todos dizem, baixando a voz:
“De Lisboa não chega sequer uma palavra de esperança !”».

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