Oposição antes do início da Guerra em Angola

Josep Sanchez Cervelló

Até ao começo das guerras em África, toda a oposição, excepto os comunistas, aceitava, embora com diferenças, que Portugal e as suas colónias formavam uma unidade política. Esta ideia de pátria comum estava presente tanto nos velhos republicanos como nos apoiantes do Estado Novo, e achava-se tão arreigada no pensamento geral que até os comunistas não a discutiram frontalmente, para não poderem ser transformados, perante a opinião pública, em traidores à pátria.
A primeira organização que quebrou o «consenso» nacional foi o PCP, em 1957, quando, de forma explícita, no seu V Congresso, pediu a independência imediata e completa. Mas o PCP acabou por manter duplo comportamento: um como partido e outro com força integradora do conjunto dos sectores oposicionistas, com os quais acordou programas que não reflectiam as suas posições anticoloniais. É neste sentido que deve interpretar-se a sua atitude perante a sublevação do Norte de Angola, em 1961, ao condenar «o terrorismo das organizações africanas», juntamente com a restante oposição. O mesmo tinha já feito em Janeiro desse ano, quando os sectores anti-salazaristas moderados publicaram o Programa para a Democratização da República, no qual se mantinha a unidade metrópole-ultramar, se bem que «repudiando qualquer manifestação de imperialismo colonialista». Nesta mesma linha de ideias se tinham manifestado os candidatos oposicionistas nas «eleições» presidenciais celebradas durante o Estado Novo, nas quais todos defenderam a unidade de Portugal com as suas colónias: Norton de Matos (1949), Quintão Meireles (1951) e Humberto Delgado (1958), assim como fizeram os candidatos apoiados pelo PCP, Rui Luís Gomes e Arlindo Vicente.
O próprio Humberto Delgado, depois da fraude eleitoral de 1958, lançou o Movimento Nacional Independente (MNI), que em Outubro de 1960 elaborou o Plano Colonial da Oposição Portuguesa, o qual se limitava a indicar a necessidade de preparar o povo antes de conceder o direito à autodeterminação, sem no entanto se pronunciar em relação à forma e ao tempo de o fazer.

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