1972 - Negar uma solução política para a guerra

1972
Guiné - a força africana

Base multiétnica

A criação do Batalhão de Comandos Africanos da Guiné fazia parte da ideia de Spínola de desenvolver a Força Africana. Este seria a sua grande unidade de intervenção, juntamente com os dois destacamentos de Fuzileiros africanos (um terceiro estava em formação em 1974).

A organização do Batalhão era inovadora, reunia as três companhias de Comandos africanos já existentes, onde todos os quadros das companhias de comandos eram guineenses, incluindo os seus comandantes, o que não sucedeu com as companhias de Comandos formadas em Moçambique.

Para apoiar estes quadros, cada companhia tinha um “supervisor” – um capitão comando do quadro permanente – numa situação idêntica à utilizada pelos americanos no Laos e no Vietname com os adviser. Além destes “supervisores”, apenas o comandante do Batalhão, o segundo comandante, o oficial e o sargento de operações e os quadros técnicos e administrativos eram europeus.

 

O general Spínola faz a imposição de distintivos a militares africanos. [ADS]

 

O pessoal para as companhias de Comandos era recrutado a partir dos efectivos das companhias de caçadores locais e das milícias. Era um recrutamento multiétnico, onde todas as etnias da Guiné se encontravam representadas nas companhias e mesmo nos grupos de combate, sendo raros e evitados os casos de exclusividade étnica. A experiência de miscigenação étnica e a participação dos oficiais europeus em operações de combate de elevado risco, mesmo as que foram realizadas em países estrangeiros, constituíram uma experiência que poucos exércitos convencionais ousaram fazer. No Batalhão de Comandos Africanos este sistema funcionou porque foi possível sobrepor à identificação de clã ou de povo, a identificação de “Comando”, uma solidariedade “guerreira” e, acima de tudo, porque existia uma forte ligação afectiva e política ao general Spínola e o convencimento de que estava em curso um processo político que garantia efectivo poder aos povos locais representados naquela força. Além das três companhias de Comandos africanos, o novo Batalhão de Comandos Africanos recebeu o Grupo de Operações Especiais, que dependia do comandante-chefe. Por sua vez, as duas companhias de Comandos metropolitanas normalmente atribuídas à Guiné não faziam parte do Batalhão de Comandos Africanos e não estavam em Brá, o tradicional quartel dos Comandos desde o início da sua criação na Guiné, mas sim nos comandos operacionais a que se encontravam atribuídos. Os quadros destas companhias participavam na instrução das companhias de Comandos africanos e as operações realizadas em conjunto revelaram que a qualidade intrínseca de cada uma delas podia ser potenciada.

 

Antecedentes

Antes da criação do Batalhão de Comandos Africanos existia em Brá, entre Bissau e o aeroporto de Bissalanca, um campo militar que foi designado por “Centro de Comandos”, “Aquartelamento de Comandos” e “Agrupamento de Comandos”, e onde, a partir de 1971, se instalaram as companhias africanas e os seus órgãos de apoio.

 

Os Comandos africanos

Na Guiné, desde o início da guerra, existiram militares locais nos Comandos.

No início, estes militares integravam os grupos de Comandos juntamente com os europeus e, mais tarde, constituíram a primeira companhia de Comandos, que foi comandada pelo prestigiado capitão fula João Bacar Djaló.

A instrução destes militares locais processou-se primeiro em Brá, depois em Fá Mandinga e, por fim, em Mansabá.

 

Os primeiros Comandos da Guiné

Em Julho de 1963, o Comando-Chefe da Guiné solicitou à Região Militar de Angola que recebesse e formasse um pequeno grupo de oficiais e sargentos. Na mesma altura, foi enviada uma circular para todos os batalhões estacionados na Guiné, convidando oficiais e sargentos para se oferecerem como voluntários para os Comandos. Depois da selecção, foram escolhidos o major Monteiro Dinis, que seria comandante dos Comandos em Angola, dois alferes, quatro sargentos e dois militares da Guiné, Abdulai Djamanca e Bacar Djaló.

Iniciaram o Curso de Comandos em Angola a 26 de Outubro, em Quibala-Norte e no regresso a Bissau, com Comandos dos batalhões, formaram um grupo que interveio na Operação Tridente, de 14 de Janeiro a 24 de Março, nas ilhas do Como, Caiar e Catunco.

Receberam os crachás em cerimónia pública realizada em Bissau em 29 de Abril de 1964. Alguns destes militares foram nomeados instrutores do 1º Curso de Comandos que se realizou em Brá, de 30 de Setembro a 17 de Novembro de 1964, os quais deram origem aos primeiros grupos de Comandos, que tomaram os nomes de “Fantasmas”, “Panteras” e “Camaleões” quando terminaram a formação.

Em Junho de 1965, começou o 2º Curso de Comandos na Guiné, de onde saíram quatro grupos que substituíram os três iniciais e mais um. Estes novos grupos receberam os nomes de “Centauros”, “Apaches”, “Vampiros” e “Diabólicos”.

Em 30 de Junho de 1966, desembarcou em Bissau a 3ª Companhia de Comandos (metropolitanos), a primeira unidade deste escalão formada e instruída em Lamego. Terminara a fase dos grupos de Comandos independentes. À 3ª Companhia de Comandos sucedeu ainda no mesmo ano, a 5ª Companhia. No futuro e até ao fim da guerra, a Guiné ficaria com duas companhias de Comandos mobilizadas pela Metrópole no seu dispositivo.

À 3ª e à 5ª companhias de comandos sucederam as 15ª e a 16ª, a que se seguiriam as 35ª, 38ª e a 4041.

 

Companhias de comandos africanas

As companhias de comandos africanas, constituídas exclusivamente por militares da Guiné, começaram a ser organizadas a partir de 1969, no centro de instrução de Fá Mandinga. A 1ª Companhia recebeu voluntários e quadros africanos dos antigos grupos de comandos e jurou bandeira a 26 de Abril de 1970. Tomou parte em várias operações, entre as quais a «Mar Verde», com o assalto a Conacri.

A 2ª Companhia também foi preparada em Fá Mandinga, recebeu graduados da 1ª Companhia e ficou pronta para operações em 23 de Setembro de 1971. A 3ª Companhia fez o mesmo percurso das anteriores e recebeu o seu “crachat” de Comando a 2 de Novembro na cerimónia de criação do Batalhão de Comandos Africanos.

Em 1973 foi realizado em Mansabá um curso de comandos para recompletamento, com a curiosidade de terem iniciado a sua actividade operacional na Operação Ametista Real com o assalto à base de Cumbamory, no Senegal.

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