10/08/1962 -

Fuga para Paris dos dirigentes da FUA (Frente de Unidade Angolana) que se encontravam com residência fixa em Lisboa.

A saída clandestina foi comunicada pela PIDE ao Gabinete dos Negócios Políticos do Ministério do Ultramar, referenciando-a como tendo ocorrido a 10 de Agosto de 1962. Em Paris, estes dirigentes constituíram um novo “Comité Director da FUA”, com Sócrates Mendonça de Oliveira Dáskalos como presidente, e Adolfo Maria como secretário-geral, sendo outros elementos Carlos Augusto Duarte de Morais, João Marques de Almeida Mendes e Ernesto Pires Barreto de Lara, também conhecido por Ernesto Lara Filho.

A FUA tinha realizado a primeira acção a 17 de Abril de 1961, numa estrada do Lubango (Sá da Bandeira), Sul de Angola, onde foram encontrados, envoltos num papel de embrulho, várias dezenas de manifestos clandestinos. Eram dum movimento que usava o acrónimo FUA, até então desconhecido das autoridades.

Nesses impressos anunciava-se a Frente de Unidade Angolana – FUA – que fazia as seguintes reivindicações:
a) o direito de a população de Angola dispor do seu próprio destino;

b) a abertura imediata de negociações com os representantes da Oposição ao Governo, para solução pacífica do problema angolano;

c) a necessidade de todos os habitantes de Angola se unirem para a construção de um grande país multirracial;

d) a libertação de todos os presos políticos;

e) eleições gerais, com inteira liberdade de propaganda eleitoral e ampla representação de todas as tendências políticas;

f) formação de um governo autónomo de Angola;

g) liberdade de consciência, de religião, de imprensa, de reunião e associação;

h) elevação e representação das massas africanas “hoje sem liberdade, sem garantias e sem direitos”;

i) livre acesso aos cargos públicos: a trabalho igual, salário igual;

j) liberdade de comércio com todos os povos e estabelecimento de relações diplomáticas com todos os países;

k) política de franca amizade e sólida cooperação com os povos de expressão portuguesa.