22 a 25/05/1963 -

Conferência de Adis-Abeba convocada na sequência da Conferência de Lagos de Janeiro de 1962, com o fim de acordar numa “Carta Africana” e que leva à fundação da Organização de Unidade Africana (OUA) pelos chefes de 32 Estados independentes de África.

Na sessão inaugural o ministro dos Negócios Estrangeiros da Etiópia esclareceu o verdadeiro objectivo da reunião: “O histórico acontecimento que ora se verifica em Adis-Abeba, o mais importante no seu género na vida dos povos africanos, tem por fim a construção da unidade africana”. No final foi aprovada a Carta da Organização de Unidade Africana (OUA), que viria a desempenhar o papel de coordenação das políticas de libertação dos territórios africanos não-autónomos.

De facto, com as independências coloniais, o pan-africanismo passou a necessitar de um organismo que aglutinasse todas as sensibilidades africanas. Teve a sua génese nos já referidos movimentos pan-africanistas pré-independentistas do pós II Guerra Mundial, nas campanhas anticolonialistas e anti-apartheid e, principalmente, na Resolução 1514 (XV) da Assembleia Geral da ONU.

A OUA, ao contrário dos movimentos pan-africanistas que primeiramente defendiam a supremacia da negritude e a defesa de África para os negros, passou a ter, como prioridade absoluta, a África para os africanos, independentemente da sua cor.

Saliente-se que no Norte vingava a supremacia branca, enquanto a supremacia negra só se registava a sul do Sara, onde coexistia com as minorias branca e mestiça. Os outros objectivos da OUA eram o reconhecimento das fronteiras decorrentes da Conferência de Berlim, defendendo a sua integridade e negando o direito a qualquer secessão, a independência das colónias e o fim de todo o tipo de segregação, ou seja, defendiam o fim do colonialismo e do apartheid