11/1963 -

Aquisição por Portugal de aviões DO-27 e T-6 à Alemanha.

Aviões DO-27 e T-6

Em Novembro de 1963 foram comprados por Portugal 46 Dornier DO-27 e 70 Harvard T-6 em “condições extremamente favoráveis”, pois “Portugal pagaria apenas uma parte do preço unitário por avião”, “apenas 40 por cento do custo total, sendo os restantes 60 por cento pagos em 1965, ‘mediante a dedução dos pagamentos devidos às OGMA para trabalhos de manutenção’, ou outros serviços efectuados para a Força Aérea alemã. Quer isto dizer que a maior parte do pagamento dos aviões recebidos por Portugal seria feita através da manutenção dos aviões da Força Aérea da República Federal, pelo que o dinheiro que saía dos cofres do Estado era menos de metade dos custos da transacção.

Salazar com Hans Christophe Seebohm, ministro dos Transportes alemão. [DGARQ-TT-O Século]

Com os aviões viriam também os sobressalentes necessários para um período de dois anos”.

[Ana Mónica Fonseca, Dez Anos de Relações Luso-alemãs: 1958-1968, in Relações Internacionais, Setembro 2006.]

Aviões T-37 e helicópteros Alouette III

No ano de 1963 a Força Aérea foi dotada de duas novas aeronaves.

Uma foi o avião a jacto de treino T-37C, de que foram recebidas 30 unidades a partir de Abril, e que ainda estão ao serviço da FAP.

Trata-se de um aparelho destinado à instrução básica em jacto, com dois lugares lado a lado no cockpit, em vez dos tradicionais em tandem.

Está equipado com dois motores Continental J69-T 25, 465 kgf, tendo uma velocidade máxima de 685 km/h e um raio de acção de 1400 km.

Estes aviões não estavam armados, embora exista uma versão de ataque ao solo, o A37 Dragonfly. Ficaram muito conhecidos pelas apresentações da patrulha acrobática “Asas de Portugal”, mas a sua influência na guerra foi indirecta, através da instrução básica de pilotos.

A outra aeronave foi o helicóptero Sud Aviation AS-316 Alouette III, de que foram adquiridas um total de 142 unidades. Presente em todas as frentes, este helicóptero foi um cavalo-de-batalha, cumprindo missões de ligação, observação, posto de comando, transporte de tropas especiais, evacuação sanitária e até de ataque ao solo, tendo para isso sido montado um canhão de 20 mm lateralmente, numa das portas – o chamado helicanhão – num “desenrascanço” que expunha todo o flanco do aparelho à retaliação inimiga.

Muitos militares devem a vida a este anjo tutelar, cujo ruído característico significava a quase certeza de chegar ao hospital a tempo. Aliás, ainda hoje continua ao serviço e continua a salvar vidas.

Estava dotado de um motor de turbina Turbomeca Artouste III-B de 700 shp, tendo uma velocidade de cerca de 200 km/h e um raio de acção de 540 km, e podendo levar até sete passageiros.

Helicópteros Alouette III preparados para uma operação helitransportada, no Norte de Moçambique. [AHM]