05/09/1971 -

Viagem a Lisboa do chefe dos serviços secretos rodesianos, Ken Flower, para apresentar críticas do seu Governo à actuação de Kaúlza de Arriaga em Moçambique.

Ken Flower era o director dos serviços secretos rodesianos (CIO).

Nesta visita veio transmitir a Marcelo Caetano o que pensavam do general que comandava as Forças Armadas Portuguesas em Moçambique. Para os rodesianos, Kaúlza de Arriaga “era um general político que se aproveitava da guerra em Moçambique para realizar as suas ambições pessoais e de propaganda, sem condução eficiente da guerra”. No início de 1971, Ian Smith visitou Moçambique para contactos com Kaúlza de Arriaga e este garantiu-lhe que as Forças Armadas Portuguesas de Moçambique alcançariam a vitória e descreveu aquilo que achava que eram os seus êxitos militares da Operação Nó Górdio e dos planos para o vale do Zambeze, onde se projectava instalar um milhão de colonos europeus e da barreira inexpugnável que a barragem de Cahora Bassa seria contra o avanço da FRELIMO em Tete.

Como as preocupações rodesianas se centravam na zona de Tete e, quanto a essa, enquanto Kaúlza descrevia cenários de ficção, o inspector Sabino, da DGS, informava e esclarecia os agentes dos serviços de informações da Rodésia que os guerrilheiros já tinham passado o Zambeze para sul e avançavam em direcção a Manica e Sofala, o quadro não foi do agrado de Ian Smith.

As Forças Armadas Portuguesas e o seu comandante não mereciam grande admiração dos rodesianos.

Segundo Ian Smith, as forças de segurança rodesianas tinham uma elevada taxa de mortalidade contra os guerrilheiros, matando muito e muito rapidamente. Nada de parecido acontecia com os portugueses, embora admitisse que, do lado português, a situação para os rodesianos não era tão boa como devia ser – os homens da segurança rodesiana consideravam que os portugueses nunca conseguiriam controlar toda a área como eles controlavam a Rodésia, e alguns consideravam que Kaúlza de Arriaga estava a fazer um mau trabalho em Moçambique.