12/11/1962 -

Intervenção de Amílcar Cabral na IV Comissão da Assembleia Geral da ONU.

Amílcar Cabral denunciou a repressão contra militantes e dirigentes do PAIGC, como a prisão, tortura e assassínio de alguns deles, e apelou a que as Nações Unidas interviessem junto de Portugal para pôr fim à vaga de violência e iniciar conversações para uma independência pacífica.

Antes do abandono da via pacífica para a conquista da independência, a estratégia dos movimentos de libertação foi orientada essencialmente para a obtenção, por um lado, de apoios políticos externos, sobretudo junto da ONU, e, por outro, no plano interno, em tentar junto do Governo português, através de várias iniciativas, levá-lo a negociar uma saída pacífica para o problema colonial. Inscrevem-se no âmbito desta estratégia, no plano externo, a comparência perante a Assembleia Geral das Nações Unidas ou nas comissões especializadas na qualidade de peticionários, assim como o envio de vários relatórios e notas informativas e, no plano interno, o envio de memorandos e notas ao Governo de Salazar.

Na ONU, os movimentos de libertação tentarão exercer pressões no sentido de levarem Portugal a cumprir e a fazer respeitar as leis internacionais. Mas rapidamente chegaram à conclusão de que a ONU estava de certo modo manietada e, por isso mesmo, incapacitada de impor a Portugal o cumprimento das suas resoluções e que as suas iniciativas junto do Governo português, em finais de 1962, para uma solução pacífica e política para o problema colonial, ficarão definitivamente arredadas com a recusa reiterada do regime de Salazar em negociar com os movimentos nacionalistas.

Perante a insistência e a ameaça destes de pegarem em armas para defenderem os seus direitos, a única reacção do regime foi a de reforçar o aparelho militar nos territórios coloniais.

O fracasso das duas vias não deixou outra saída que não fosse a de concentrar todos os seus esforços na preparação para a luta armada.

Amílcar Cabral com membros do PAIGC. [AHM]