21/03/1963 -

Demissão de dez oficiais, em consequência dos inquéritos levantados na sequência dos acontecimentos da Índia.

O veredicto sobre os oficiais da Índia foi conhecido em Março de 1963.

As sanções pela perda da jóia do império foram severas: expulsão das Forças Armadas de 10 oficiais, a começar pelo general Vassalo e Silva, o governador da Índia, os oficiais do seu estado-maior e alguns comandantes de unidades; reforma compulsiva para cinco; meio ano de inactividade para nove. Sem recurso. A mão pesada dos castigos quase faz esquecer as condecorações e promoções de outros militares, algumas a título póstumo.

O comportamento da guarnição militar foi analisado à luz de um mero Regulamento de Disciplina.

Na Guiné, as lanchas da Marinha passaram a escoltar as embarcações civis de transporte após a acção do PAIGC. [AHM]

Em vez de tribunais, o processo foi entregue a generais e burocratas, sem que os acusados tivessem direito de defesa.

São os métodos do Conselho Superior de Disciplina que funciona como um órgão corporativo, onde os militares não têm direito a serem defendidos por advogado e a apreciação dos factos é feita de acordo com os conceitos da hierarquia.

Os militares portugueses que passaram por esta humilhação nunca mais esqueceram o vexame e a arbitrariedade.

Como dirá Carlos Azeredo: “Tudo isto fez crescer em mim uma profunda revolta contra Salazar e contra a sua política estreita e antinacional” – o que o leva a participar no 25 de Abril de 1974.

[Texto com base em declarações do general Carlos Azeredo, em Trabalhos e Dias de um Soldado do Império. Porto, 2004.]