Conferência de imprensa do Quartel-General de Luanda para comunicação da situação militar em Angola.
Nesta análise, o Comando Militar reconhecia que “a resistência inimiga na ZIN (Zona de Intervenção Norte) não havia sido eliminada, mas que se mantinham os limites da ‘Zona Recuperada’ e da ‘Zona não Recuperada’. Esta última englobava a região de S. Salvador, a de Bessa Monteiro e a de Quibaxe-Nambuangongo”.
O Comando Militar aproveitou esta conferência de imprensa para revelar a sua intenção de melhorar a sua actuação no controlo de mercadorias e de pessoas na ZIN e de reocupação civil.
Melhorar as relações com as autoridades fronteiriças do Congo
Mas a finalidade do encontro com os jornalistas era transmitir para o exterior a mensagem de que as autoridades militares portuguesas queriam melhorar as relações com as autoridades fronteiriças do Congo, depois dos incidentes com mercenários e refugiados catangueses, na sequência da tentativa de independência do Catanga. Portugal queria dizer que não desejava mais incidentes de fronteira.
A conferência serviu também para assinalar o esforço dos militares na recuperação económica da “zona do café” que, “além de ser uma fonte de receita da Província, era um dos melhores meios para a refixação da população branca no Norte e de garantia de trabalho para as populações indígenas apresentadas”.
O Comando Militar português sistematizava assim, perante a opinião pública, as funções das Forças Armadas para além da sua missão operacional, depois da experiência de dois anos de guerra.