Antecedentes . Os anos que geraram um novo Mundo

A Preparação Para a Guerra

Forças Ultramarinas para reforçarem a Metrópole

A entrada de Portugal na NATO em 1949 alterou o conceito de forças massificadas até aí existente e destinadas a combaterem na Península Ibérica contra o tradicional inimigo espanhol, para o de forças aeronavais orientadas para combater na Europa contra o bloco socialista. As tropas mobilizadas no Ultramar serviriam de reserva para reforçarem a Metrópole, na previsão de uma situação mais grave.

Foi com base neste conceito que os estudos efectuados nos anos 50 previram um dispositivo militar em África com as unidades colocadas no centro dos territórios. A primeira localização prevista para uma base aérea em Angola foi Nova Lisboa. Os blindados do Grupo de Reconhecimento (Dragões) ficaram colocados em Silva Porto.

A geração NATO

Além de proporcionar o reequipamento das Forças Armadas Portuguesas – criação da Divisão SHAPE, no Campo Militar de Santa Margarida, fornecimento de caças-bombardeiros a jacto F-84 e F-86, entre outro material – a entrada de Portugal na NATO serviu ainda de escola para uma geração de oficiais, para as novas doutrinas organizativas e para a abertura de mentalidades. Enquanto a Marinha e a recém-criada Força Aérea (1952) mantiveram contactos internacionais mais frequentes, a “geração NATO” tornou-se mais evidente no Exército durante os anos da guerra, constituindo-se num suporte da organização e do tipo de chefia militar.

Preparação para a guerra do novo tipo – os militares fazem os trabalhos de casa

A nomeação do general Botelho Moniz para ministro da Defesa, em 1958, em substituição de Santos Costa, abriu uma nova era nas Forças Armadas Portuguesas. Botelho Moniz tinha sido adido militar em Washington e sentia a necessidade de preparar o aparelho militar para os novos tempos. A partir de 1958 intensificou-se o envio de oficiais portugueses para frequentarem cursos em Espanha (pára-quedistas), Bélgica (pára-comandos), EUA (pilotos, Estado- Maior, informações, ranger), Grã-Bretanha (informações, fuzileiros) e França.

Em 1959 foram enviadas duas missões militares de observação à Argélia para tomarem contacto com a experiência dos franceses naquela sua colónia e para frequentarem um curso de “Pacificação e Contra-Guerrilha”.

Salazar não se manifestou particularmente entusiasmado com estes contactos, mas não se opôs. Eles não exigiam despesa significativa, apenas viagens e ajudas de custo, e mantinham os militares, de quem desconfiava, entretidos e afastados das conspirações geradas pela inactividade da vida de guarnição.

Como resultado destas acções de estudo, a 6 de Novembro de 1959 foi criado pelo Exército o Centro de Instrução de Operações Especiais (CIOE), em Lamego. Este centro tinha a finalidade de preparar tropas para a luta contra-guerrilha, acção psicológica e operações especiais (ranger).

O primeiro resultado do CIOE foi a preparação de três Companhias de Caçadores Especiais.

Treino de passagem de Obstáculos no CIOE, em Lamego. [JE]

 

20 de Janeiro de 1960: Alteração do Conceito Estratégico – África passa a ser o alvo da nova e principal ameaça

A Directiva de 20 de Janeiro de 1960 do chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas altera radicalmente os objectivos estratégicos militares.
A ameaça principal deixa de situar-se na Europa e passa a situar-se em África, dirigida contra os territórios africanos. As Forças Armadas Portuguesas deviam preparar-se para uma guerra defensiva contra os países vizinhos e para uma guerra subversiva no seu interior.

Foram elaborados estudos de Estado-Maior para a remodelação do dispositivo militar nos territórios ultramarinos, de modo a responder ao perigo representado pelos novos países independentes e começaram a ser editados regulamentos adequados. O mais importante foi “O Exército na Guerra Subversiva”, em cinco volumes, publicados em 1963 e de novo em 1966, os quais constituirão a excelente base teórica em que assentará a actividade militar portuguesa durante toda a guerra.

O trabalho de casa dos militares estava feito. Faltava levá-lo à prática, o que o Governo de Salazar só fez depois de a guerra deflagrar.

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