1964 - Três teatros de operações

Zâmbia - Um país entre dois interesses

O pesado fardo da Zâmbia

A Zâmbia e a Tanzânia suportaram a maior parte do esforço no apoio aos movimentos de libertação de Angola e Moçambique. Contudo, por razões da sua  localização geográfica no centro dos conflitos, foi a Zâmbia que suportou o fardo mais pesado, funcionando como base de muitos movimentos no exílio: o MPLA teve ali o seu quartel-general e várias bases de 1966 a 1974 e também a FRELIMO e o COREMO ali se instalaram. Também apoiou a ZAPU do Zimbabwe, o Congresso Nacional Africano (ANC) da África do Sul e a SWAPO da Namíbia.

 

Ajudar os amigos sem hostilizar os vizinhos

A gestão destes apoios e das vizinhanças hostis de Angola, de Moçambique, da Rodésia e até do Malawi, que preferia estar do lado dos governos de minoria branca, exigiram de Keneth Kaunda uma grande habilidade e sensatez. Embora concedendo apoio aos movimentos de libertação, teve com alguns deles relações turbulentas e viu-se envolvido em disputas internas. O conflito entre os apoiantes de Agostinho Neto e Daniel Chipenda da Revolta do Leste ocorreu na Zâmbia. Por outro lado, os países vizinhos, como Portugal em Angola e a Rodésia, retaliavam o apoio dado aos guerrilheiros, encerrando-lhe as fronteiras por onde ele devia exportar os seus produtos.

 

Formatura de guerrilheiros numa base de um país de apoio. [AHM]

 

 

Estabelecer pontes

Para sobreviver entre estes dois mundos antagónicos, Kaunda procurou desenvolver uma política de unidade entre os movimentos de libertação, ou as suas facções – fê-lo com Agostinho Neto e Chipenda e também com Holden Roberto. Durante algum tempo acolheu Savimbi e tentou também servir de ponte entre os interesses em conflito e Lusaka ficou ligada a algumas das tentativas de acordo entre as partes em guerra. Os sul-africanos utilizavam os bons ofícios de Kaunda e foi também a ele e a Lusaka que, em 1973, Jorge Jardim se dirigiu para uma última tentativa de parte dos colonos de Moçambique negociarem com a FRELIMO.

 

Refugiados angolanos

Um outro papel importante que a Zâmbia desempenhou foi o de destino de acolhimento para refugiados. Durante a Guerra Colonial a Zâmbia acolheu 220 000* refugiados, que fugiam da guerra e das deslocações forçadas para os aldeamentos criados pelas autoridades portuguesas para controlarem as populações.

*Durante a guerra civil, depois da independência, este número subiu a mais de meio milhão.

 

As acções dos guerrilheiros contra os caminhos-de-ferro tinham como objectivo prejudicar as relações de Portugal limítrofes, como a Zâmbia e o Malawi. [AHM]

 

 

Arquivos Históricos

Lugares de Abril

Curso História Contemporânea

Roteiro Didático e Pedagógico

Base Dados Históricos

Site A25A

Centro de Documentação

Arquivo RTP

Cadernos 25 Abril

Filmes e Documentários

Arquivos Históricos

© 2018 – Associação 25 de Abril