1962 - Optar pela guerra

O PROBLEMA DO ARMAMENTO LIGEIRO

Por Nuno Santa Clara Gomes

Origens
O eclodir da guerra em 1961 apanhou Portugal (uma vez mais!) numa fase de indecisão quanto ao armamento ligeiro do Exército. As forças terrestres continuavam armadas basicamente com material da II Guerra Mundial, com excepção dos fornecimentos feitos após a entrada na NATO, que foram essencialmente de armas pesadas (morteiros, armas anticarro e metralhadoras pesadas).

No final da década de 50, os exércitos modernos estavam já equipados com espingardas automáticas, também chamadas espingardas de assalto, cujo calibre estava estandardizado na NATO com o 7,62mmx51, e no Pacto de Varsóvia com o 7,62mmx39. Os velhos calibres (7,92mm e 7,7mm) estavam obsoletos, e a adopção de uma nova arma de base para substituir a veneranda Mauser obrigaria a mudar também as metralhadoras ligeiras e médias, e mesmo a mudar o armamento das forças de segurança, operação cara e sucessivamente adiada, até que a força das circunstâncias obrigou a tomar medidas drásticas não programadas, ditadas pelas restrições de fornecimento, e não em função de uma pesquisa e planeamento cuidados, como sucedera antes da II Guerra Mundial.

As munições

Curiosamente, não se punha à partida o problema das munições, uma vez que a indústria nacional já fabricava munições do calibre 7,62mm desde 1958, e em quantidade apreciável, porquanto o contrato inicial com a Alemanha previa a produção de 20 milhões de cartuchos em 1959 e 100 milhões em 1960. Aliás, durante todo o tempo da guerra as Forças Armadas consumiram apenas uma parte da produção portuguesa.

A aquisição de armas não era fácil, dado o embargo decretado pelos Estados Unidos, que se haviam tornado o fornecedor principal de Portugal. Foi à Alemanha, França, Bélgica e África do Sul que Portugal recorreu para dar o “salto” da passagem da espingarda de repetição para a arma automática, e para adquirir pistolas-metralhadoras, então julgadas bem adaptadas à guerra de guerrilhas, pelas características do combate a curta distância.

A decisão sobre a G-3

Assim, a decisão final de adoptar a espingarda G-3 em detrimento da FN-FAL (as principais competidoras) teve mais a ver com as condições oferecidas a nível industrial do que com a avaliação exaustiva das armas. Situação algo semelhante à de 1936, mas então houve mais tempo. No entanto, a decisão revelou-se acertada: a G-3 é uma arma concebida para exércitos de conscritos, e a FN-FAL para forças mais profissionalizadas. Ora, com três meses de instrução, e poucos créditos de munições para treino, é fácil perceber porque se tornou a G-3 tão popular.

No quadro abaixo descrevem-se as armas adoptadas em 1961/1962, com as suas características:

Granadas de mão

Além deste armamento, foram adoptadas em 1962 as granadas de mão ofensivas e defensivas (GMO e GMD), com espoleta integrada, que vieram substituir as então existentes, do tempo da II Guerra Mundial (no caso da Mill’s, da I GM). A GMD inicial tinha um corpo de ferro fundido, tendo sido substituída no ano seguinte por outra com uma espiral interior de fragmentação, que produzia um número superior de estilhaços.

Américo Tomás com uma espingarda G-3 durante uma visita à Fábrica Militar de Braço de Prata. [AHM]

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