1962 - Optar pela Guerra

Antecedentes

Os Acontecimentos

  • 31
      07/1962

    31/07/1962 - 

    Os EUA abstiveram-se nas Nações Unidas em relação a uma proposta de condenação de Portugal, rotulado de “ameaça à paz mundial”. Esta abstenção dos EUA representou uma alteração na política de Kennedy, que estava agora interessado em não criar mais atritos com Portugal, posição ligada também ao acordo da base dos Açores.

  • 08
      1962

    08/1962 - 

    Recomendação da Conferência de Ministros dos Negócios Estrangeiros da OUA, reunida em Dacar, para o reconhecimento do GRAE de Holden Roberto.

  • 08
      1962

    08/1962 - 

    Chegada a Angola do Destacamento de Fuzileiros Especiais 3. No final de 1962,
    estavam montados todos os postos fixos ao longo do rio Zaire e cada um dos postos dispunha de botes apoiados por lanchas de modo a assegurar a vigilância do rio. Ficou um DFE em Macala e outro na Pedra do Feitiço.

    Exercício de fuzileiros. [DGARQ-TT-SNI]

  • 03
      08/1962

    03/08/1962 - 

    Fundação da FLING, Frente de Libertação Nacional da Guiné, em Dacar.

    A FLING foi fundada em Dacar, visando a independência da Guiné-Bissau, como resultado da fusão do MLG (Movimento de Libertação da Guiné), UPG (União Popular da Guiné), UPLG (União
    Popular de Libertação da Guiné) e mais tarde do UNGP (União dos Naturais da Guiné Portuguesa). Os dirigentes da FLING eram:
    – Manuel Pereira Correia
    – Diallo Mamadou Bintou
    – Alfa Camara
    – François Mendy
    – Manuel Lopes da Silva
    – Ernestina Silva
    – Balbino Olímpio da Costa
    – Jonas Mário Fernandes.

  • 10
      08/1962

    10/08/1962 - 

    O general Caeiro Carrasco assume o cargo de comandante-chefe de Moçambique.

    Caberá a Caeiro Carrasco a condução das operações militares portuguesas no início da guerra em Moçambique. A guerra já decorria em Angola há mais de três anos e havia um ano que começara na Guiné. Existia já alguma experiência operacional e logística e uma base teórica para a condução das forças.

    No entanto, a acção das forças portuguesas sob o comando de Caeiro Carrasco cometeu alguns dos erros básicos da reacção portuguesa em Angola, incluindo um excesso de violência sobre as populações.

    Sobre a sua nomeação disse Costa Gomes: “Era uma daquelas coisas que aconteciam. Como foi a nomeação de Holbeche Fino para Angola.

    Eram pessoas mal escolhidas. O general Carrasco começou a querer fazer a guerra com fósforos para queimar tudo.

    Estava convencido de que, se queimasse as palhotas dos pretos e se impedisse que eles continuassem a viver nas suas aldeias, eles dispersavam”.

    Para Caeiro Carrasco, a actividade da guerrilha, uma vez circunscrita a apenas três distritos, apresentava-se facilmente controlável pelo uso de
    artilharia e das tácticas tradicionais militares.

    O resultado, ainda segundo Costa Gomes, foi que “a população virou-se contra nós”.

    Para o general Augusto dos Santos, que o substituiu, Caeiro Carrasco “era um homem indiscutivelmente valente. Mas tinha a concepção de que aquilo era tudo à pancada e mais nada.

    A estratégia do general Carrasco não resultou, porque quanto mais violência se exercia contra as populações mais as populações tendiam a apoiar os guerrilheiros”.

    A promoção e a nomeação dos generais

    A nomeação do general Caeiro Carrasco para o cargo de comandante-chefe das Forças Armadas em Moçambique, tal como a do general Holbeche Fino para Angola, um militar que tinha feito a sua carreira na Guarda Nacional Republicana, como, mais tarde, as nomeações de Kaúlza de Arriaga para comandante-chefe de Moçambique ou a de Barroso Hipólito, em 1973, para comandante da Zona Militar Leste em Angola, onde substituiu o general Bettencourt Rodrigues, colocam-nos hoje a questão da análise da escolha dos comandantes dos grandes
    comandos militares terrestres durante a guerra.

    Salazar com o general Gomes de Araújo e outras figuras do regime. [AHM]

    O processo no Exército começava com o modo de escolha dos generais, entre o grupo de oficiais com a patente de coronel. Para ser general era necessário aos coronéis frequentarem o Curso de Altos Comandos e os coronéis eram nomeados para a sua frequência por duas razões distintas e não escritas: havia os que eram nomeados como reconhecimento de serviços prestados, como prémio de carreira, e os que eram
    nomeados por mérito, porque o Exército esperava deles um bom desempenho futuro como generais.

    Estes últimos eram normalmente os mais bem preparados teoricamente, maioritariamente do Corpo de Estado-Maior; os primeiros eram
    oficiais “de linha”, que tinham feito carreira em unidades, junto da tropa, ou na Polícia, Guarda Republicana ou Guarda Fiscal.

    Como o Curso de Altos Comandos era dirigido por oficiais do Corpo de Estado-Maior, os coronéis que pertenciam a esse grupo tinham muito mais facilidade em obter boas classificações e informações.

    Embora existisse uma componente de confiança política, o sistema de promoções funcionava quase em auto-regulação, produzindo generais previsíveis.

    A escolha destes para os cargos de comando era feita por cruzamento quase informal de influências e trocas de opiniões, em que o elemento central era o “conceito” em que o militar era tido entre os seus pares e pelos seus superiores.

    Embora no início da guerra tenham sido cometidos alguns erros de casting, como o do general Carrasco e o de Holbeche Fino, o método apriorístico de escolha funcionou relativamente bem e, de um modo geral, não foram cometidos grandes erros durante os anos da guerra, sendo as excepções a nomeação de Kaúlza de Arriaga para Moçambique e a de Barroso Hipólito para a Zona Militar Leste em Angola.

    Holbeche Fino em Angola. [AHM]

  • 10
      08/1962

    10/08/1962 - 

    Fuga para Paris dos dirigentes da FUA (Frente de Unidade Angolana) que se encontravam com residência fixa em Lisboa.

    A saída clandestina foi comunicada pela PIDE ao Gabinete dos Negócios Políticos do Ministério do Ultramar, referenciando-a como tendo ocorrido a 10 de Agosto de 1962. Em Paris, estes dirigentes constituíram um novo “Comité Director da FUA”, com Sócrates Mendonça de Oliveira Dáskalos como presidente, e Adolfo Maria como secretário-geral, sendo outros elementos Carlos Augusto Duarte de Morais, João Marques de Almeida Mendes e Ernesto Pires Barreto de Lara, também conhecido por Ernesto Lara Filho.

    A FUA tinha realizado a primeira acção a 17 de Abril de 1961, numa estrada do Lubango (Sá da Bandeira), Sul de Angola, onde foram encontrados, envoltos num papel de embrulho, várias dezenas de manifestos clandestinos. Eram dum movimento que usava o acrónimo FUA, até então desconhecido das autoridades.

    Nesses impressos anunciava-se a Frente de Unidade Angolana – FUA – que fazia as seguintes reivindicações:
    a) o direito de a população de Angola dispor do seu próprio destino;

    b) a abertura imediata de negociações com os representantes da Oposição ao Governo, para solução pacífica do problema angolano;

    c) a necessidade de todos os habitantes de Angola se unirem para a construção de um grande país multirracial;

    d) a libertação de todos os presos políticos;

    e) eleições gerais, com inteira liberdade de propaganda eleitoral e ampla representação de todas as tendências políticas;

    f) formação de um governo autónomo de Angola;

    g) liberdade de consciência, de religião, de imprensa, de reunião e associação;

    h) elevação e representação das massas africanas “hoje sem liberdade, sem garantias e sem direitos”;

    i) livre acesso aos cargos públicos: a trabalho igual, salário igual;

    j) liberdade de comércio com todos os povos e estabelecimento de relações diplomáticas com todos os países;

    k) política de franca amizade e sólida cooperação com os povos de expressão portuguesa.

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